BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.

domingo, 7 de dezembro de 2014

Memórias paroquiais da Freguesia de Pereiros de 1758 - 5


Serra Tinta - 1, 2, 8, 10, 11


Trata-se da Serra
 
1- Tem uma serra que se chama Serra Tinta
 
2 - Tem de cumprimento legoa e meia, e de largo huma legoa, e principia do nascente desviada da villa de Freixiel meya legoa e acaba para o poente no rio Tua.
 
8 - He bastantemente montanhosa e he rustica parte della, e tem muitas oliveiras principalmente em huma beira della que chamam a Ribeira de Pereiros.
 
10 - He bastantemente bela e falta de agoas
 
11 - Criam-se nela muitos gados ovelhum e cabrum e muita caça de coelhos e perdizes e lobos
 
 
Do rio se tratou no tratado da Freguesia do Pinhal, pois passa ao pé de ambas as freguesias, e não há mais que se diga della do que está dito; e aos mais parágrafos e interrogatórios a que se não respondeu, he porque não avia que dizer a eles.
 


sexta-feira, 21 de novembro de 2014

Memórias Paroquiais da Freguesia de Pereiros de 1758 - 4

Questões 15,16,17,20 e 21



15 - Os frutos que os moradores da terra recolhem em mayor abundancia, hé pam centeyo; mas ainda nam chega para o gasto da mesma terra e algum vinho, cevada em abundancia.

16 - Esta sujeita ao juis ordinário da villa de Freixiel por do seu termo e concelho, que também tem camera.

17 - He terra do Senhor infante Dom Pedro e o mesmo Serenissimo Senhor pedimos justiças da dita terra.

20 - Por não  ter correyo, se serve do correyo da villa de Carrazeda de Ansiaens que dista della legoa e meya.

21 - Fica distante da cidade de Braga vinte e duas legoas que hé do seu Arcebispado; e da cidade de Lisboa de sesenta e duas legoas


domingo, 9 de novembro de 2014

Memórias Paroquiais da Freguesia de Pereiros de 1758 - 3

Questões 7, 8, 9 e 13



7 - Santo Amaro he o seu orago; e tem a igreja matriz tres altares, hum o altar mor que está na capella mayor, aonde esta colocado o Santíssimo Sacramento, e dois altares colaterais munto semelhantes ao pé do arco da igreja, em hum esta a imagem perfeitíssima de nossa senhora do Rosário, e em outro; esta hum Santo Cristo que faz muntos milagres, e he imagem tambem perfeitíssima.
 
8 - O parocho della he vigario que representa o venerando Balio Comendador de Poyares Frey Joze Telles; e renderá a dita igreja oitenta mil reis pouco mais ou menos.
 
13 - 9 - Tem huma ermida no fim da povoacam para a parte do poente, a qual hé de Santo André, feita de bonna cantaria, he sujeita á mesma igreja; e como lugar de Codesais tem outra capella ou ermida da Senhora da Comceipçam, que tem sua irmandade e romagem a que acode munta gente principalmente no seu dia, e no dia 19 de Agosto em que se faz anniversario.
 
 
Nota: Chamava-se Baylias ou Balias às principais comendas, designadamente nas ordens militares do Hospital ou de Malta; na ordem dos Templários mais tarde de Cristo. Balio - Assim se designava o comendador destas ordens.
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 5 de novembro de 2014

Memórias Paroquiais da Freguesia de Pereiros de 1758 - 2

Memórias Paroquiais da Freguesia de Pereiros de 1758 - Questões 4,5 e 6



4- Acha-se situada em as fraldas de huma serra chamada o Castello de Pereiros, e sem ser artemanufacto, so sim ser hum pinhasco tam levantado, que do alto delle athe o rio Tua aonde principia a dita serra he huma grande legoa que tudo quasi consta de pinhascos, e terra munto fragada, e desta povoacam se veem muntas terras, huma o Navalho lugar que fica distante da mesma povoacam duas légoas, a villa de Lamas de Orilham; e do dito Castello e alto da dita serra se descobre a maior parte da provincia de Tras os Montes, parte da Beira, Minho e ainda terras de Espanha.
 
5- He termo da villa de Freixiel; tem um lugar que se chama Codesais que hé desta mesma freguesia que tem quarenta vezinhos que ficam metidos no mesmo numero de cima.
 
6- Está a parochia e igreja matriz dentro do dito lugar de Pereiros, no meio delle, mas de lado para a parte do Sul,  até o lugar de Codesais hé sujeito a ella.
 
 
 
 
Nota: artemanufacto - construído
           vezinhos - moradores
           legoa - légua - 5 km
           povoacam - povoação
           Lamas de Orilham - Lamas de Orelhão, vila e concelho.
 
Nota: "de lado para a parte do sul" (...) As igrejas cristãs têm, por razões litúrgicas, simbólicas, a capela mor voltada a sul, a nascente. É aí que deve estar o sacrário, o corpo de Cristo. Esta colocação favorece ou desfavorece, do ponto de vista arquitetónico, a igreja! No caso de Pereiros favorece, a fachada monumental fica virada a poente de frente para a aldeia e o Castelo. Por exemplo em Zedes é o contrário. 
 
 

segunda-feira, 3 de novembro de 2014

Infante D. Pedro III


 Memórias paroquiais da freguesia de Pereiros  de 1758

Nota: resposta ao inquérito - 2 - "Sereníssimo Senhor dom Pedro Infante de Portugal..."




Dom Pedro III
 
D. Pedro III de Portugal (nome completo: Pedro Clemente Francisco José António de Bragança; 5 de Julho de 1717 — 25 de Maio de 1786), Infante de Portugal, Senhor do Infantado, Grão-Prior do Crato, Duque de Beja, posteriormente Príncipe consorte do Brasil e Rei de Portugal de jure uxoris, foi o quarto filho do rei D. João V e da rainha D. Maria Ana.
D. Pedro era assim irmão de D. José I. Em 6 de Junho de 1760 casou-se com a sobrinha e herdeira da coroa D. Maria Francisca. Com a subida da mulher ao trono em 1777 tornou-se rei consorte de Portugal sendo cognominado "O Capacidónio" pela maneira como se referia a várias pessoas ou "O Sacristão" pelo seu fervor religioso ou ainda "O Edificador" pela sua iniciativa de edificar o Palácio de Queluz.
Pedro foi uma figura neutra da política e alheou-se sempre dos aspectos governativos.










Nota - Grão-Prior do Crato -  A Ordem dos Hospitalários ou de Malta  tinha a sua sede em Portugal na vila do Crato (Mosteiro da Flor da Rosa). Ser Prior do Crato era ser Prior da Ordem dos Hospitalários ou de Malta. (A a sua sede principal era na ilha de Malta.)
 
Ordem Soberana e Militar Hospitalária de São João de Jerusalém, de Rodes e de Malta





A rainha D. Maria I e o rei D. Pedro III de Portugal.



Origem: Wikipédia, a enciclopédia livre.




Memórias paroquiais da freguesia de Pereiros de 1758 - 1


Memórias paroquiais da freguesia de Pereiros de 1758 -  Questões 1, 2 e 3



 
Pereiros
 
Freguesia de Santo Amaro da sagrada religião de Malta
 
 
1. Fica esta freguesia em a província de traz dos montes do Arcebispado de Braga primaz, Comarca de Torre de Moncorvo, e concelho da villa de Freixiel.
 
2.  Hé esta terra donataria e o senhor della he o Sereníssimo Senhor dom Pedro infante de Portugal que Deus guarde por muitos e felizes anos.
 
3. Tem esta freguesia cento e doze vezinhos e he o numero das pessoas de Sacramento duzentas e outenta e duas; e o numero de meninos e meninas chegaram pouco mais ou menos a setenta.

 
 
 
 
 
 



Memórias Paroquiais de 1758





MEMÓRIAS PAROQUIAIS DE 1758   



Um aviso de 18 de Janeiro de 1758 do Secretário de Estado dos Negócios do Reino, Sebastião José de Carvalho e Melo, fazia remeter, através dos principais prelados, e para todos os párocos do reino, os interrogatórios sobre as paróquias e povoações pedindo as suas descrições geográficas, demográficas, históricas, económicas, e administrativas, para além da questão dos estragos provocados pelo terramoto de 1 de Novembro de 1755. As respostas deveriam ser remetidas à Secretaria de Estado dos Negócios do Reino.

As respostas ao inquérito terão sido levadas para a Casa de Nossa Senhora das Necessidades, em Lisboa, da Congregação do Oratório, para serem trabalhadas pelo Padre Luís Cardoso (?-1769). O ex-libris existente na maioria dos volumes confirma esta custódia. O índice terá sido elaborado ou concluído no ano de 1832, data que apresenta. Passaram depois para a Biblioteca da Ajuda depois da extinção das ordens religiosas, seguindo para o Depósito Geral das Livrarias, no antigo Convento de São Francisco da Cidade, e daí para a Torre do Tombo entre os anos de 1836 e 1838.

As datas desta história custodial são incertas, mas encontra-se registado em livro do Ministério do Reino o ofício de 17 de Março de 1843, de D. Manuel de Portugal e Castro (vedor da Casa Real) reclamando como pertencentes à Biblioteca Real os 44 volumes que formam a coleção dos apontamentos para o dicionário geográfico de Portugal, reunidos pelo Pe. Luís Cardoso. Na sequência, surge a Portaria de 21 de Março de 1843 do Ministério do Reino para a Torre do Tombo, inquirindo sobre a existência dessa coleção neste arquivo, para onde tinha sido conduzida pelo Dr. António Nunes de Carvalho (guarda-mor da Torre do Tombo entre 1836 e 1838), retirando-a do Depósito Geral das Livrarias dos extintos conventos. A resposta dada pela Torre do Tombo, a 27 de Março do mesmo ano, confirmou a existência dessa coleção, referindo que não devia sair do arquivo, porque não era propriedade particular, mas sim o resultado de uma diligência que o Governo mandara fazer.



Âmbito e conteúdo
 


Esta coleção é constituída pelas respostas elaboradas pelos párocos ao interrogatório, através do qual se pretendia obter informações sobre as paróquias, abrangendo a totalidade do território continental português. Apesar de a exaustividade das respostas não ser constante, apresentam-se, na generalidade, de forma sequencial aos pontos do interrogatório (que está dividido em três partes relativas à localidade em si, à serra, e ao rio) fornecendo dados de carácter geográfico (localização, relevo, distâncias), administrativo (comarca, concelho, dimensão, e confrontações), e demográfico (número de habitantes), sendo possível obter informações sobre a estrutura eclesiástica e vivência religiosa (orago, benefícios, conventos, igrejas, ermidas, imagens milagrosas, romarias), a assistência social (hospitais, misericórdias, irmandades), as principais atividades económicas (agrícola, mineira, pecuária, feira), a organização judicial (comarca, juiz), as comunicações existentes (correio, pontes, portos marítimos e fluviais), a estrutura defensiva (fortificações, castelos ou torres), os recursos hídricos (rios, lagoas, fontes), outras informações consideradas assinaláveis (pessoas ilustres, privilégios, antiguidades), e quais os danos provocados pelo terramoto de 1755.



Instrumentos de pesquisa


ARQUIVO NACIONAL DA TORRE DO TOMBO - [Base de dados de descrição arquivística]. [Em linha]. Lisboa: ANTT, 2000-. Disponível no Sítio Web e na Sala de Referência da Torre do Tombo. Em atualização permanente.

O título da coleção "Memórias Paroquiais" é um título consagrado pelo uso, e surge na maioria das monografias que utilizam ou transcrevem documentos desta coleção. No entanto, os volumes que constituem a coleção apresentam na lombada a designação de "Dicionário geográfico de Portugal" e o vol. 44 apresenta na página de rosto "Índice geográfico das cidades, vilas e paróquias de Portugal conteudas nos 43 volumes manuscritos do Dicionário Geográfico existente na Biblioteca das Senhora das Necessidades". Os autores Fernando Portugal e Alfredo de Matos (In: Lisboa em 1758. Lisboa: [s.n.], 1974. p. 13) consideram que é um erro chamar-se Dicionário Geográfico de Portugal às Memórias Paroquiais, uma vez que as respostas dos párocos utilizadas para a elaboração do Dicionário Geográfico do Padre Luís Cardoso foram destruídas pelo terramoto de 1755.


NOTA: Na paróquia de Pereiros as respostas ao inquérito das Memórias Paroquiais de 1758 foram dadas pelo vigário António Lopes Teixeira tendo como testemunhas André e Rafael Pinto Trigo aos 25 dias do mês de Março deste mesmo ano.

Estas memórias vão ser publicadas por partes, o texto original e a respetiva tradução em português moderno. Estas memórias são uma excelente síntese da vida das paróquias daquela época.
















                                                             

                                                                










domingo, 17 de novembro de 2013

Verão de S. Martinho

 
Tardes amenas, uma brisa ligeira, o cheiro a terra molhada. Frutos de Outono, cores fortes e quentes. Para quem não gosta dos exageros tórridos do Verão, este, o de S. Martinho é uma boa altura para passear no campo, ainda que sem cogumelos e castanhas!