BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.

sábado, 26 de maio de 2018


Mês de Maio, os dias parecem intermináveis, fins de tarde amenos em tons dourados, aromas de flores de Primavera transbordam dos quintais. 
Passei pela rua de cima em frente à igreja e lembrei-me daquele cântico com se fosse hoje...! A letra e a música, até a forma lenta e timbrada como as mulheres da aldeia cantavam. Podia cantá-lo exatamente da mesma maneira como se tivesse sete ou oito anos. 
O que me transportou para a minha infância!? O mesmo ambiente, os cheiros, o toque do sino? não faço ideia. 
O que importa é que passei por aqui no mês de Maio.
O mês de Maio era o mês de Maria, na minha infância rezava-se o terço todos os dias do mês, ao fim do dia, na igreja. 
Acompanhava a minha mãe quando começava a escurecer. Não ia contrariado, pelo contrário, tínhamos alguns minutos, enquanto as pessoas se juntavam, para jogar ao esconde esconde no adro da igreja!. Vivíamos numa época de trabalho árduo, nem toda a gente conseguia estar à mesma hora, como o terço não começava sem as frequentadoras habituais, estava garantido o nosso jogo. 
O terreiro do adro com as suas oliveiras e recantos da igreja era o local ideal. 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10! E o jogo começava. O tempo parava enquanto nos escondíamos no escuro, quem fosse encontrado perdia, ganhava quem conseguisse regressar ao ponto de partida sem ser apanhado. 
Chegada a hora do terço não era preciso chamar-nos ou levantar a voz. todos sabíamos o nosso lugar e lá íamos, em silêncio, respeitosamente, para dentro da igreja. O desenrolar das Avé Maria parecia interminável mas, no fim, cantava-se este cântico como se fosse uma súplica e um adeus, antes de regressar a casa já  noite cerrada.


O DIA CHEGOU AO FIM...
SILÊNCIO... A NOITE DESCEU!
BOA NOITE... PAZ EM DEUS...

quinta-feira, 26 de abril de 2018

quinta-feira, 29 de março de 2018

Ribeira - Primavera 2018

A Primavera chegou envergonhada mas depois daquela seca extrema e desgraçada do ano anterior, até se compreende! 
Podemos dar nomes às "tempestades", chamar-lhe "mau tempo" contudo, na maior parte dos casos, esses adjetivos são apenas um desvio de semântica à tradicional e necessária chuva de Outono  e Inverno. Tudo isto é amplificado por alguns ignorantes citadinos dos meios de comunicação social que pensam, de forma ingénua, ser possível ter quarenta graus durante todo o ano sem emigrar para a Arábia Saudita! Sugeria uma revisão dos velhos ditados populares sobre o tempo.
O mais grave é que as alterações climáticas provocam fenómenos como o do ano anterior que levou à seca total da ribeira. Por isso, a chegada da Primavera está um pouco mais atrasada.












ÁGUA




sábado, 3 de fevereiro de 2018

A MUDANÇA?

Ainda que fique alguma nostalgia do Rio Tua selvagem, estão agora reunidas as condições para, a partir do mês de Março, se iniciar aquilo que poderá ser uma mudança qualitativa no Vale do Tua. A concessão à Douro Azul (http://www.douroazul.com/Default.aspx) é garantia de qualidade e turismo no Vale do Tua. (http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-04-05-Comboio-regressa-a-Linha-do-Tua-em-junho) Ainda que com atraso, o arranque está para breve. O Vale do Tua irá integrar o já bem conhecido turismo fluvial do Douro em crescimento rápido nos últimos anos. A Mirandela chegaram a máquina do comboio e as carruagens que irão fazer o trajeto pela linha férrea até à estação da Brunheda onde já se encontra o barco atracado ao cais, pronto para a ligação fluvial até ao Tua.
Ao Parque Natural Regional do Vale do Tua (http://parque.valetua.pt/) caberá fazer a promoção de uma região com grande potencial paisagístico mas também o seu património, cultura e tradições tão  enfraquecidas pelo envelhecimento das suas populações.
Mário Ferreira promete cem mil pessoas por ano. Vamos ver.









quarta-feira, 6 de dezembro de 2017

Portugal Antigo e Moderno de 1873

Portugal Antigo e Moderno, dicionário de Augusto Soares d'Azevedo Barbosa de Pinho Leal, publicado em Lisboa em 1873, faz uma pequena referência à aldeia de Pereiros quando esta  pertencia já ao Concelho de Carrazeda de Ansiães. Faz ainda questão de referir o ano de 1757, quando Pereiros pertencia à Ordem dos Hospitalários ou de Malta, integrada na comenda de Freixiel e dependendo de Vila Nova de Poiares, atestando a sua importância e privilégios.



domingo, 12 de novembro de 2017

Outono - S. Martinho

Este ano, poderíamos dizer, em vez de Verão de S. Martinho, Outono de S. Martinho. Em Portugal, como o anticiclone dos Açores ainda mantém a mesma posição que no Verão e se assiste a um transporte de ar quente vindo do norte de África, o Verão de S. Martinho prolongou-se desde Outubro a meados de Novembro e foi interrompido por dois dias de chuva! O mundo ao contrário. O problema é que, neste ano de seca extrema, se vai manter pelo menos mais duas semanas. Como as temperaturas vão baixar bastante vamos mesmo precisar da capa de S. Martinho para nos aquecer e, já agora, rezar-lhe para que, ao contrário da lenda, mande chover!
O local escolhido para as fotografias não foi ao acaso, o Vale da Videira e a Regada podiam proporcionar estas cores de Outono a que se juntou o sol no dia de S. Martinho. A Bétula ou vidoeiro (Bétula alba por causa do seu tronco branco) é relativamente rara em Pereiros mas proporciona estas cores fortes.














domingo, 29 de outubro de 2017

Verão no Outono







Trinta graus! Tudo seco. No final de Outubro o Outono parece distante!
Ninguém tem memória de um Verão que nunca acaba ou de um Outono desavindo como este. As castanhas e os cogumelos, tão apreciados no S. Martinho, não vão fazer parte da tradição, talvez para o ano...

quarta-feira, 6 de setembro de 2017

Até onde a vista alcança










Inicio de Maio, fim de tarde. Um dia ventoso e a ameaçar chuva. O objetivo era o alto da Pena. Em meia hora tudo se alterou, conforme subia, o dia foi ficando mais frio o vento mais forte. O caminho, para quem não conhece, é a estrada de terra batida entre os Pereiros e os Folgares. A diferença de altitude é enorme, a subida é íngreme mas, neste dia de Maio, o vento cortante e o frio foram-me arrastando para baixo. Fiquei pelo alto do Gricho, cheguei, ainda, à parte posterior da Pena. Apesar da força agreste dos elementos  e do sol que desaparecia esmagado entre enormes nuvens negras, a paisagem sobre Pereiros, o vale do Tua e a Senhora da Assunção é esmagadora. Não fui à Pena, não subi ao alto mas fiquei com tudo até onde a vista alcança!