BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.
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terça-feira, 31 de julho de 2018

Trás - os - Montes, O Reino Maravilhoso, Miguel Torga

"Um Reino Maravilhoso (Trás‑os‑Montes)" é um texto da autoria de Miguel Torga, escritor nascido em S. Martinho de Anta, Sabrosa, Vila Real, em 12 de Agosto de 1907, e publicado na obra Portugal. O autor localiza e apresenta Trás‑os‑Montes, a sua região natal, dizendo que "fica no cimo de Portugal, como os ninhos ficam no cimo das árvores para que a distância os tome mais impossíveis e apetecidos". Torga caracteriza a região transmontana, mostra as suas riquezas e pobrezas, fala das gentes com seus hábitos, comportamentos, modos de ver e estar no mundo.
Torga, de seu verdadeiro nome Adolfo Correia da Rocha, médico de profissão, nunca esqueceu a sua origem transmontana e humilde, de filho de gente do povo. Marcado pelas dificuldades que passou na infância e na adolescência, em Portugal e no Brasil, para onde emigrou com treze anos. Foi o seu tio, fazendeiro de café no Brasil que, vendo as suas capacidades, lhe financiou os estudos de medicina em Coimbra.
Trás‑os‑Montes é para Miguel Torga um "ninho alto e agreste que transmite a elevação e a aspereza à casca e ao sabugo de quem ali nasce." 

Tinha prometido, há vários anos, que ousaria ilustrar as telúricas palavras de Miguel Torga sobre Trás-os-Montes, com imagens da minha aldeia transmontana. Espero não o ter desmerecido! 
O video é, também, um percurso muito pessoal. Os sobreiros do meu avô, à sombra dos quais merendámos tantas vezes; a pedra dos morcegos; a ribeira e o rio Tua, para onde ia desde pequeno, tomar banho, à pesca, passar a noite; a velha linha do Tua que me levou pela primeira vez quando tinha dez anos; os altos daqueles montes que me davam novos horizontes quando era pequeno; a fogueira de Natal; o toque dos sinos na Páscoa do quintal do meu tio; a casa onde nasci... algumas tradições e pessoas que já não estão entre nós e deixam saudades!

"onde estiver um transmontano está qualquer coisa de específico, de irredutível. E porquê? porque, mesmo transplantado, ele ressuma a seiva de onde brotou. Corre‑lhe nas veias a força que recebeu dos penhascos, hemoglobina que nunca se descora." (Miguel Torga)


sábado, 3 de fevereiro de 2018

A MUDANÇA?

Ainda que fique alguma nostalgia do Rio Tua selvagem, estão agora reunidas as condições para, a partir do mês de Março, se iniciar aquilo que poderá ser uma mudança qualitativa no Vale do Tua. A concessão à Douro Azul (http://www.douroazul.com/Default.aspx) é garantia de qualidade e turismo no Vale do Tua. (http://sicnoticias.sapo.pt/pais/2017-04-05-Comboio-regressa-a-Linha-do-Tua-em-junho) Ainda que com atraso, o arranque está para breve. O Vale do Tua irá integrar o já bem conhecido turismo fluvial do Douro em crescimento rápido nos últimos anos. A Mirandela chegaram a máquina do comboio e as carruagens que irão fazer o trajeto pela linha férrea até à estação da Brunheda onde já se encontra o barco atracado ao cais, pronto para a ligação fluvial até ao Tua.
Ao Parque Natural Regional do Vale do Tua (http://parque.valetua.pt/) caberá fazer a promoção de uma região com grande potencial paisagístico mas também o seu património, cultura e tradições tão  enfraquecidas pelo envelhecimento das suas populações.
Mário Ferreira promete cem mil pessoas por ano. Vamos ver.









segunda-feira, 1 de maio de 2017

Rio Tua - Da Brunheda à Cabreira


Cais da Brunheda, concelho de Mirandela e Carrazeda de Ansiães
Cais da Brunheda
Entre pontes, Brunheda e IC5
Ponte e albufeira do rio Tua, Brunheda
Cais da Brunheda - margem de Mirandela
Ponte do IC5 - jusante da Brunheda
Albufeira entre a estação da Brunheda e Codeçais
Vale do Tua, Sobreira - vista de Codeçais
Rio Tua, Sobreira - Vista de Codeçais
Pereiros de Ansiães, Vale da Galga, albufeira do rio Tua
Serra Tinta
Serra Tinta, vinhedos
Vale do Tua, termo de Pereiros
Ponte da Cabreira
Pereiros, rio Tua, Pedra Seixa
Pedra Seixa
Pedra Seixa, albufeira a montante
Ribeira de Pereiros, Foz.

Ponte da Cabreira
Ribeira de Pereiros vista da ponte da Cabreira.
Ponte da Cabreira, jusante
Linha do Tua
albufeira do Tua, jusante da ponte da Cabreira
Linha do Tua e albufeira
curva dos rápidos
curva onde antes havia rápidos e o rio corria entre pedras
Ribeiro da Bogas
Sobreiros, pormenor.
pormenor, albufeira
Pereiros, linha do Tua entre a estação de Codeçais e Abreiro.
Pereiros, vale da ribeira e Serra Tinta.
Pereiros, vale do Tua.
Pereiros, Vale do Tua

domingo, 10 de fevereiro de 2013

Circulo fechado


 
 


 
 
 
 
 
 
 
 

quarta-feira, 13 de junho de 2012

RIO TUA - Horizonte longínquo



Sentei-me aqui, nesta tarde tempestuosa de Maio. Sozinho, pensativo, pendurado na beira do paredão da centenária via-férrea, a olhar o rio Tua.

O silêncio é do tamanho das serranias e dos gigantescos maciços de granito, cortado, aqui e ali, pelo chilrear de pássaros nos sobreiros suspensos sobre o abismo à minha frente. 

As memórias assaltam-me o pensamento mas, fico quieto, parado. Ao longe, para lá da Pedra Seixa, oiço o ranger das ferragens do velho comboio a vapor, misturadas com o ritmo compassado das rodas sobre os carris e o ofegar da fumaça que sai em cachos pela chaminé.

Uma vibração súbita, um arrepio, a ribeira lá ao fundo, passou a ponte da Cabreira...
Qualquer coisa me transporta para longe, me aconchega, se sobrepõe a tudo. Fica um nó na garganta, uma estranha angústia que acalma e me conforta; a sensação de que é preciso ficar mais tempo, apurar os sentidos.  
O silêncio é apenas aparente.

Vou despertando aos poucos, o rio corre rápido com um ruído rouco e surdo, o cheiro das ervas e do mato cruzam-se em aromas doces e suaves que sempre conheci; o perfume singelo das maias contrasta com o cheiro cortante e persistente da resina das estevas; os tons verdes intensos, misturados com outras manchas coloridas, algum grande pintor deixou na minha memória; a brisa forte, amena, trazida por uma trovoada distante, acaricia-me a face, reprime uma lágrima rebelde, desperta-me o espírito.

Tudo isto se vai misturando aos poucos, tomando forma, ocupando o espaço. 
O comboio a vapor passou por mim ou viajava nele?
O tempo também foi ficando, trazido pela suave e murmurante corrente do rio ou, levado para longe, em estrondo, por entre as pedras, pelos rápidos de espuma.


– Afinal, eu sempre aqui estive.
A vida é apenas um percurso, um horizonte longínquo!...