BEM – VINDO O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.
Mês de Maio, os dias parecem intermináveis, fins de tarde amenos em tons dourados, aromas de flores de Primavera transbordam dos quintais. Passei pela rua de cima em frente à igreja e lembrei-me daquele cântico com se fosse hoje...! A letra e a música, até a forma lenta e timbrada como as mulheres da aldeia cantavam. Podia cantá-lo exatamente da mesma maneira como se tivesse sete ou oito anos.
O que me transportou para a minha infância!? O mesmo ambiente, os cheiros, o toque do sino? não faço ideia. O que importa é que passei por aqui no mês de Maio.
O mês de Maio era o mês de Maria, na minha infância rezava-se o terço todos os dias do mês, ao fim do dia, na igreja. Acompanhava a minha mãe quando começava a escurecer. Não ia contrariado, pelo contrário, tínhamos alguns minutos, enquanto as pessoas se juntavam, para jogar ao esconde esconde no adro da igreja!. Vivíamos numa época de trabalho árduo, nem toda a gente conseguia estar à mesma hora, como o terço não começava sem as frequentadoras habituais, estava garantido o nosso jogo. O terreiro do adro com as suas oliveiras e recantos da igreja era o local ideal. 1,2,3,4,5,6,7,8,9,10! E o jogo começava. O tempo parava enquanto nos escondíamos no escuro, quem fosse encontrado perdia, ganhava quem conseguisse regressar ao ponto de partida sem ser apanhado.
Chegada a hora do terço não era preciso chamar-nos ou levantar a voz. todos sabíamos o nosso lugar e lá íamos, em silêncio, respeitosamente, para dentro da igreja. O desenrolar das Avé Maria parecia interminável mas, no fim, cantava-se este cântico como se fosse uma súplica e um adeus, antes de regressar a casa já noite cerrada.
Realizou-se
em 4 de Agosto de 2012, um encontro de pessoas, que de alguma forma têm
ligações à aldeia de Pereiros de Ansiães.
O
objectivo principal, foi promover o convívio entre os residentes e todos
aqueles que se encontram ausentes da aldeia.
O
encontro, a que apelidámos de “Encontro de Gerações”, decorreu animado e com
muito entusiasmo. Foi bonito o reencontro com algumas das pessoas que não se
viam há mais de 30 anos.
Para
dar mais brilho ao encontro, não faltou o lanche bem organizado por “cozinheiros
especialistas da terra”, onde não faltou o porco assado no espeto, bebidas e
bolos para os mais gulosos.
Depois
do encontro, era visível toda a alegria estampada no rosto de mais de 100
pessoas.
Para
o ano, cá estaremos para o 2º “Encontro de Gerações”.
Mais uma pérola do Raul Figueiredo. Esta fotografia será dos finais dos anos 60! O Verão também era tempo de baile. Nesta época na aldeia, baile era baile de rua, nada de organizar bailes em locais fechados, isso não era próprio! Foi necessário esperar pela década seguinte para ver essas "poucas vergonhas". Os bailes tinham um temporada própria! Tudo começava ali pelos santos populares ou num qualquer domingo de Verão. Um gira-discos, os velhinhos discos de vinil, ep ou lp, a rua ou um dos muitos largos da aldeia. Nada que o conjunto "Maria Albertina" não pudesse abrilhantar. Como este baile era uma produção do Raul, a rua não engana, talvez já fosse o inicio da revolução tranquila que se avizinhava. Assim, apostaria mais em Demis Roussos! Como em todos os bailes não podiam faltar os mirones! Não dançavam mas... também não empatavam ninguém!
O Verão era época de festas e futebol! Esta foto é de 1980. Reparem se isto não é um grande plantel! Nos tempos em que Pereiros ainda conseguia formar uma equipa completa de jogadores, equipada a rigor e num estádio soberbo, preparado para as competições europeias! Alguns já não estão entre nós, por isso, esta fotografia é única.
Um dia destes faço a legenda desta equipa memorável, como estamos em época de transferências desportivas nunca se sabe... mas, com certeza, que os conhecem!
O Raul Figueiredo enviou-me estas duas fotografias. São uma vista parcial de Pereiros tiradas, aproximadamente, do mesmo enquadramento. Deve haver, mais ou menos, 40 anos de diferença entre as duas fotografias. É interessante ver como houve algumas transformações. Compare.
Enquanto em 1941-42 a Europa estava mergulhada no maior drama do século XX, a Segunda Guerra Mundial, no Portugal de Salazar respirava-se paz e tranquilidade. Algumas das nossas tropas eram mobilizadas à pressa para os Açores, alvo da cobiça de nazis e aliados, na província a vida corria devagar, vivia-se ao ritmo dos trabalhos do campo. O que haveria de melhor do que um passeio ao Castelo com os amigos?
Este grupo era composto por duas famílias que vinham do Porto:os Aguiar e os Ferreira que convidavam os amigos da aldeia para uma passeio de convívio.O local escolhido foi o Castelo, o ponto mais alto do termo de Pereiros, de onde se pode ter uma vista deslumbrante sobre o vale do Tua.Os Aguiar eram irmãos da D.Zaida. Os pais que tinham sido professores em Pereiros, foram para o Porto onde formaram os filhos, por isso, regressavam sempre nas férias.Em Pereiros tinham a sua casa (ainda pertence à família)e propriedades tanto em Pereiros como em Codeçais.O Sr. Ferreira era do Porto e casou com Ermelinda Ramos de Pereiros onde também tinham casa que pertenceu, mais tarde, a Balbina Ramos. As duas famílias eram amigas e habituais destas férias na aldeia. É interessante alguns homens transportarem armas de caça. Naquela época podia-se caçar todos os dias, por isso, não admira que o passeio também incluísse uma caçada.
O grupo era formado por: primeiro plano, da esquerda para a direita -(Foto 1) Zeca Ferreira, António Aguiar e Francisco (Chico) Ramos.
Segundo plano, da esquerda para a direita: Rosália Borges, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Helena dos Anjos Borges, Olinda Moreira, Irene Aguiar, Cármen Aguiar, Maria da Silva Aguiar, Adelaide Lopes, Ana Aguiar, Aurora Ramos, Fernanda Aguiar, Ermelinda Ramos, Sr. Ferreira, Alberto Moreira e Américo Aguiar.
Da esquerda para a direita:(Foto 2) Aurora Ramos, Rosália Borges, Helena Borges, Irene Aguiar, Cármen Aguiar, Adelaide Lopes, Fernanda Aguiar Ana Aguiar, Ermelinda Ramos, Olinda Moreira, Isabel Morais, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Maria da Silva Aguiar, sr. Ferreira, Alberto Moreira, Alberto Calixto e Francisco (Chico) Ferreira.
Primeiro plano, da esquerda para direita:(Foto 3) Aurora Ramos, Adelaide Lopes, Cármen Aguiar, Olinda Moreira, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), sr. Ferreira, Ana Aguiar, Zeca Ferreira, Ermelinda Ferreira, Fernanda Aguiar, Isabel Morais, Ermelinda Ramos, Maria da Silva Aguiar. Segundo plano, em cima: Helena Borges, Rosália Borges, Américo Aguiar, António Aguiar, Alberto Calixto, Alberto Moreira.
Da direita para a esquerda: (Foto 4) Maria da Silva Aguiar, Olinda Moreira, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Fernanda Aguiar, Ana Aguiar, Zeca Ferreira, Aurora Ramos, Adelaide Lopes, Cármen Aguiar, Ermelinda Ramos, Isabel Morais, António Aguiar, Irene Aguiar, Helena Borges, Rosália Borges e o sr. Ferreira. (atrás)
Estas fotografias de pequenas dimensões (podem ser ampliadas no próprio blog) foram cedidas por Helena Borges, uma das participantes do grupo do passeio. Apesar da sua idade avançada identificou todas as pessoas. Estas fotos marcam um dia feliz na juventude destas raparigas e rapazes de Pereiros nos anos 40. Para mim foi surpreendente reconhecer imediatamente a minha tia, Maria da Luz Gomes (Mariazinha). Será que ela ainda consegue reconhecer as fotografias? A recolha e levantamento foram feitos por Adelaide Moreira.
Esta fotografia pertence a Eulália Moreira e a sua filha Adelaide Moreira. Foi-me entregue com uma legenda: Em cima, da direita para a esquerda: Avó Maria dos Ramos, tia Palmira (casou com o sr. Adão de Zedes), João Morais, João da Teresa Penafria, Alberto Calixto ou o irmão Álvaro. Em baixo, da direita para a esquerda: casal que veio de África e Alda Morais. O burro para transportar a água era de Amélia do Pedro. (Caiado)
Nota: Penso que ainda será possível apurar os nomes próprios de todas as pessoas dos Pereiros e a data aproximada.
Fotografia tirada no Verão de 1981 no Vale. Da esquerda para a direita Hernâni Fidalgo, Artur Felgueiras e Fernando Guerra. Os três tínhamos aqui vinte e um ou vinte e dois anos de idade. Desde há alguns anos, em especial nos anos de 77, 78 e 79 éramos os três mosqueteiros de Pereiros. Nada acontecida na aldeia sem nós sabermos, estávamos em todas... corríamos as festas de verão dos arredores, desde o Mogo em Julho até à Samorinha em Setembro. Que saudades desse tempo! Pelo menos estávamos mais elegantes.
Da esquerda para a direita, está o Toneca (António Figueiredo), a Teresa Morais (irmã da Jacinta), a Emília Morais (filha da Srª Aurora), a Olinda Araújo (filha da Srª Helena), a Aldina Pinheiro e Raúl Figueiredo.A foto foi tirada no tanque do quintal de João Baptista Pinheiro. Pode ver-se ao fundo o quintal, o "casão", um bocadinho da entrada do cemitério e do telhado da igreja. a serra que está por detrás é a Mata.
Esta fotografia foi enviada por Raúl Figueiredo conjuntamente com este texto que nos recorda algumas representações teatrais de que alguns ainda se devem lembrar.
"Pereiros nunca foi uma terra com tradições artísticas. O seu ambiente rural nunca permitiu tais luxos.
Nas chamadas férias grandes de 1962, tinha eu 9 anos, houve uma tentativa de organizar uma peça de teatro que acabou por ser uma “Mini-Revista” protagonizada por várias crianças da escola. Lembro-me apenas que interpretei, em parceria com a Olinda Araújo, a pequena peça ” Martinho e Mariana” e também uma dança de folclore, “Não vás ao mar Tonho”
Recordo ainda, que a timidez era tanta, que não levantei os olhos do soalho do palco.
A promotora e encenadora deste evento, foi a Helena Morais, filha dos meus saudosos padrinhos de baptismo, D.Alda Morais e Sr. João Morais.
No verão de 1971, saí de Lisboa para passar 3 semanas de férias em Pereiros. Parti com um objectivo bem definido, organizar um espectáculo de variedades. Uma espécie de Revista à Portuguesa.
Falei com o “meu par” de 1962, a Olinda Araújo. Depois fomos falar com a Aldina Pinheiro e a sua irmã Luzinha, que de imediato aceitaram colaborar.
Juntaram-se outros elementos; o meu irmão “Toneca”, a Teresa Morais, a Emília Morais e outros de que já não me recordo.
Tendo em conta os meios que tínhamos, apenas vontade, o êxito foi total.
A população de Pereiros, numerosa nessa época, esteve em peso neste espectáculo.
Se 40 anos depois fosse atribuído ao melhor intérprete um Globo de ouro, ele seria certamente entregue à Drª Aldina Pinheiro. Não tive dúvidas que foi quem esteve melhor na representação.
Continuámos durante mais alguns anos, a tradição manteve-se até 1975, a organizar novos espectáculos, que depois fomos apresentar em Codeçais e Areias.
Para algumas das cenas apresentadas, tive que fazer uma recolha, assistindo a peças de teatro como nunca. Dessa experiência, ficou-me o gosto pela imitação de figuras públicas, que me levou nos finais dos anos 70 a quatro programas de TV e muitos espectáculos ao vivo. Os espectáculos eram anunciados nas missas pelo Padre Valentim Bom e o dinheiro que as pessoas ofereciam pela entrada foi sempre para a igreja. Lembro-me que em 1971 o resultado foi cerca de mil e quinhentos escudos."
Nota do editor:
Se alguém ainda tiver fotografias dos espectáculos ou, se se lembrar de outros pormenores, pode participar.
Gostaria de abrir neste blog um espaço para as memórias antigas de Pereiros. O objectivo é muito simples, recolher fotografias antigas ou filmes que nos possam dar outras perspectivas do passado, do seu património, como é o caso desta fotografia da igreja, das pessoas e das suas tradições, como por exemplo festas, romarias, comemorações e eventos sociais que envolvam grupos ou, apenas grupos de pessoas. É um espaço aberto a quem quiser participar, as fotografias devem vir acompanhadas de um pequeno texto que as identifique e que as integre no contexto da época. As pessoas que quiserem colaborar têm de ter consciência de que elas vão ser publicadas, a Internet é uma ferramenta poderosa que permite divulgar todas esta informação à escala mundial. O contacto é o próprio blog em www.pereiros-de-ansiaes.blogspot.com ou, então, o meu endereço electrónico que também se obtém através do blog: hernanifidalgo@sapo.pt hernani.s.fidalgo@gmail.com.