BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.
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domingo, 31 de março de 2013

terça-feira, 1 de janeiro de 2013

PONTO DE LUZ

 


 
 A LUZ ILUMINE O NOVO ANO DE 2013

sexta-feira, 28 de dezembro de 2012

 

BOAS FESTAS

 
No dia 24 de Dezembro juntaram a lenha, prepararam a fogueira... não ia haver missa do galo mas mantinha-se a tradição... se não fosse uma forte chuvada! A natureza é assim, não me recordo de tal ter acontecido antes, também não estava tudo perfeito, ficou para o dia de Natal.

 

sexta-feira, 13 de julho de 2012

Festa de Nª Sª de Fátima - 8 de Julho - 2012

A tradição cumpriu-se...








Fotografias tiradas pelo conterrâneo Raúl Fuigueiredo gentilmente cedidas.






terça-feira, 10 de abril de 2012


Páscoa 2012

A Páscoa é uma das maiores tradições de Pereiros. Num dia de sol com o toque dos sinos ao longe, o compasso ou visita tem um significado muito especial para todos os que aqui nasceram. No alto do cabeço, a velha cruz do encontro, servia para a grande procissão do calvário na semana santa, essas tradições de grande solenidade não se perderam, estão bem presentes na memória de todos, apenas não se realizam. São  sinais dos tempos. O compasso passou hoje por aqui, pela cruz do encontro, como sempre. Talvez um pouco rápido demais, há tradições que devem ser saboreadas com mais tempo!
 



segunda-feira, 26 de dezembro de 2011

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Páscoa 2011


 PÁSCOA 2011



A Páscoa deste ano foi muito alta, no dia 24 de Abril. A Páscoa é sempre comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início de Primavera, ou seja, pode ocorrer entre 22 de Março e 25 de Abril. Por isso é um dia santo móvel. O outro dia santo móvel que depende da Páscoa é o Corpo de Deus, este ano será em 23 de Junho.
Um dia quente e agradável mas marcado por aguaceiros rápidos e intensos. Nada que não nos faça recordar que, apesar dos dias mais longos, ainda estamos na Primavera.


Na aldeia o compasso marca a grande tradição da Páscoa. Muita gente nas ruas, visitas... faça sol ou chuva, ela chega a todos, mesmo àqueles que, devido ao seu estado de saúde, não podem receber a tradição na entrada de sua casa.


Atendendo às circunstâncias, gostaria de deixar aqui uma fotografia do dia de Páscoa de 2010, quando o sr. Francisco recebei a visita da sra. Helena e do seu filho António.

domingo, 26 de dezembro de 2010

Fogueira de Natal 2010



Um dos rituais que perdura até aos nossos dias, principalmente em Trás-os-Montes, Alto Douro, Beira Alta e Beira Baixa, mas também no Nordeste Transmontano, sendo menor ou mesmo nula a sua tradição a sul, diz respeito às «fogueiras do Menino», «fogueiras da Consoada» ou «fogueiras do galo».
Sob a influência da Igreja, a fogueira profana de adoração solar dos Romanos passou a ser cristianizada e a servir de ritual cristão ao culto divino testemunhado na quadra natalícia a Jesus Cristo – considerado o «verdadeiro símbolo do Sol que vai nascer, para iluminar todo o homem que vem ao Mundo».
Costume que se processa quase sempre durante a noite, cabe ainda hoje às raparigas enfeitar as igrejas para a Missa do Galo, enquanto aos rapazes corresponde a tarefa do roubo ritual do «madeiro», do «cepo» ou do «canhoto» – noutros tempos envolviam-se as rodas dos carros de bois com «baraços» de palha de modo a evitar o barulho, para que tudo se processasse no maior silêncio.
Em Pereiros, segundo a memória dos mais velhos, esta tradição manteve-se durante muitos anos o que originou até, algumas desavenças, por abusos de quem roubava a lenha.
Nas últimas dezenas de anos o roubo do canhoto caiu em desuso. A lenha era transportada usando força bruta de dezenas de homens que a arrastavam pelos caminhos. Agora reúne-se a rapaziada da aldeia e, com a ajuda de um tractor, dá-se a volta às melhores canhotas que ficaram nos montes e nas propriedades ao longo do ano. Ateada ao anoitecer da véspera de Natal, a fogueira arde, geralmente até à passagem de ano, no adro da igreja. A fogueira representa a luz e o toque do sino chama os cristãos para a missa do galo.

Associada à fogueira está a missa do galo. Esta missa tem um significado e um fascínio especial, a hora a que se realiza, a igreja iluminada e a fogueira são o ponto de reunião de todas as famílias, o cumprir da tradição e da magia do Natal. Nas décadas de 60 e 70 a igreja era pequena para acolher tanta gente.
Segundo a lenda no século IV a comunidade cristã de Jerusalém seguia em peregrinação até Belém para celebrar a Missa do Natal na hora do primeiro canto do galo, mencionado por Jesus na traição de Pedro, descrito nos evangelhos de Matheus (capítulo 26, versículo 34) e Marcos (capítulo 14, versículos 68 a 72). O galo cantou três vezes quando Pedro negou Jesus, por isso, a missa da meia-noite no Natal tem este nome. Em Roma a celebração acontece desde o século V, na Basílica de Santa Maria Maior.
O galo passou a simbolizar vigilância, fidelidade e testemunho cristão. Por isto, no século IX a ave foi parar no campanário das igrejas.

Em Pereiros, o presépio deste ano era diferente, era novo, com imagens pintadas à mão, foi oferecido por Nelson Fernandes e Fernanda Morais.

No fim da missa, a tradição de beijar o menino enquanto se entoam cânticos de Natal:

   Cristãos alegria que nasceu Jesus...
a virgem Maria no-lo deu à luz.
Jesus, Jesus, saudemos Jesus!

A data do nascimento de Jesus é desconhecida, não existe qualquer referência a este dia nos Evangelhos. O dia 25 de Dezembro foi estabelecido por volta do século IV. Escolheu-se esta data para dar um sentido cristão a uma festa pagã que existia em Roma, a festa do Sol. No ano 274, o imperador Aureliano oficializou o culto do Sol. Mandou construir um templo em sua honra a fixou a sua festa a 25 de Dezembro. Eram nestes dias as festas do Solstício de Inverno,(21 de Dezembro)em que os dias começavam a aumentar e a ter mais … sol. Os cristãos passaram então a festejar um outro “sol”: Jesus, a luz do mundo.


Na antiguidade, o ritual sagrado do fogo, ou lume novo, acontecia por ocasião do Solstício de Inverno, com as fogueiras acesas tendo por intenção que o sol voltasse a brilhar com maior intensidade, marcando o fim do declínio da luz solar até culminar no dia menor do ano. Estas celebrações eram importantes para as comunidades rurais que dependiam dos ciclos da natureza para as suas colheitas. Com o crescimento do cristianismo a igreja católica foi-se apropriando destes rituais e festividades.
Simbolicamente, o canhoto poderá representar ainda o próprio Inverno, na intenção de aquecer o Menino Jesus; o madeiro da cruz de Cristo ou o fogo que desceu dos céus, referente à iluminação dos apóstolos pelo Espírito Santo, sob a forma de línguas de fogo, depois da elevação de Jesus Cristo aos céus. Tradicionalmente, depois da missa, as famílias voltam para casa, colocam a imagem do Menino Jesus no presépio, distribuem os presentes e partilham a ceia de Natal.
Festas e tradições portuguesas, vol. III, adaptado.
http://blog.comunidades.net/igrejacpt/index.php

sábado, 17 de julho de 2010

Festa em honra de Nª Sª de Fátima - 2010


Nem todas as tradições em Pereiros têm de ser centenárias. A festa em honra de Nossa Senhora de Fátima é relativamente recente. Criada durante a década de 70, respondeu à vontade da aldeia realizar uma festa de Verão como acontecia com a maioria das paróquias vizinhas. Esta vontade vai de encontro a duas realidades distintas: O Verão é uma época de férias, uma oportunidade para aqueles que estão fora se poderem juntar à família, com a aldeia cada vez mais despovoada os que vivem fora ultrapassam, de longe, aqueles que aqui residem. A outra vontade era juntar o sagrado ao profano, realizar uma festa numa época mais quente, mais adequada a um arraial de Verão. A escolha de Nossa Senhora de Fátima é óbvia pela devoção que as pessoas lhe dedicam e ao facto de na igreja paroquial, num dos altares colaterais, a sua imagem ocupar um lugar de destaque.
A festa ficou assim marcada para o segundo fim-de-semana de Julho. Tem-se realizado desde então de forma ininterrupta.


Do ponto de vista religioso, a festa começou com uma homenagem ao padroeiro Santo Amaro - A bênção do painel de azulejos recentemente colocado na janela do corpo da igreja voltada a Norte. Este espaço foi fechado no século XIX para dar lugar ao altar lateral do Sagrado Coração de Jesus. Uma janela fechada com barro grosseiro que se encontrava em estado de degradação transformou-se numa bonita e imponente moldura para um painel de azulejos. Quando no início dos anos 90 se iniciou o restauro do interior da igreja, sugeri à comissão fabriqueira da época o aproveitamento do espaço com um painel de azulejos em azul e branco. Como o dinheiro não abundava e o restauro era prioritário tal nunca veio a ser posto em prática. Ainda bem.

O painel de azulejos foi oferecido e pintado por Amparo Cabral. Devota de Santo Amaro, deixa-nos aqui um contributo de fino recorte artístico pela sua expressividade, equilíbrio de formas e cores, perfeitamente enquadrado no espaço envolvente. Santo Amaro, no seu hábito beneditino com o báculo de bispo da igreja, transformou-se no protector do exterior da igreja.

É durante as festas que se consegue esta imagem única, a igreja enche-se, faz lembrar as grandes celebrações de há trinta ou quarenta anos atrás. Uma igreja imponente ganha assim vida, aproxima-se do grande objectivo para o qual foi construída no século XVIII, acolher todas as pessoas da paróquia.


A procissão é uma tradição secular que representa a devoção das pessoas; é também uma forma de ostentação e propaganda da fé católica. Antigamente, os andores e os estandartes saiam à rua na celebração do Corpo de Deus, mesmo as imagens maiores eram transportadas na volta solene à aldeia engalanada com arcos festivos, passadeiras de flores e colchas nas janelas.




Andor de Nossa Senhora de Fátima


Andor de Santo Amaro

(questionei a sra. Helena porque é que punham um barco no andor de S. Amaro. Disse-me que desconhecia. Contudo, conhecia muito bem qual o principal milagre atribuído ao padroeiro, caminhar sobre as águas para salvar outro discípulo de S. Bento, de morrer afogado. Apenas não se lembrava do nome. O nome do monge salvo por S. Amaro é S. Plácido mas isso fica para outra ocasião.)


Andor de S. José




A forma de adornar os andores também se alterou nos últimos anos. As fitas e tecidos coloridos foram substituídos por flores o que lhe trouxe um ar mais singelo, simples e natural.




A torre da igreja iluminada marca os dias festivos. Ela há-de ser sempre o símbolo maior de Pereiros, aquela que marca o espaço e o tempo por onde todos passamos ou havemos de passar.

sábado, 10 de abril de 2010

PÁSCOA - 2010

A Páscoa tem sabores, cores, luz e cheiros próprios da nossa infância; lembra-nos a Primavera, os dias maiores, as grandes celebrações da Quaresma, o Domingo de Ramos, os folares,a festa... por isso, só faz sentido na aldeia. As pessoas, mesmo os que estão longe, regressam todos os anos.

Cruz cimeira da igreja
Flores de pereira

Sino grande da igreja de Pereiros. O sino marcou e marca a vida das pessoas ao longo de centenas de anos, todos os ritmos diários, o toque das trindades, o nascimento e a morte, as festas e as romarias.

Flores silvestres no Barreiro

Lilás

Fachada da igreja de Pereiros do quintal de João B. Pinheiro

Igreja de Pereiros vista lateral através das fores de pessegueiro

Flores de pereira

A Páscoa é assim, morte e ressurreição, simbolizada pela cruz e por este elegante fogaréu que representa a luz e a salvação.



Igreja Matriz de Pereiros de Ansiães - Fim de tarde do dia de Páscoa



Toque de Páscoa tradicional aqui executado por Joaquim Coelho.
Tocar o sino é uma forma de reviver todas as Páscoas passadas na aldeia. Antigamente os rapazes tinham que esperar pela sua vez para tocar.



o Raul enviou este texto que ilustra bem a visita pascal.

Não fui à Pascoa e tenho pena. No Sul, só nos lembramos porque os supermercados estão cheios de amêndoas, há o feriado e pouco mais. Lembro-me muitas vezes Como era a Páscoa em Pereiros nos idos anos 60. Grandes limpezas nas casas e na rua, as flores por todo o lado, os folares, os sinos a tocar todo o dia e as visitas pascais.

É claro que a comitiva da visita chegava ao fim "pouco católica" depois de beberem tantos cálices...


As memórias de infância ficam registadas como um filme que temos guardado.Ainda a propósito da Páscoa em Pereiros, lembrei-me de um pequeno episódio no início dos anos 60.

Esteve na nossa Paróquia um sacerdote chamado Padre Cordeiro. Quem se lembra dele, sabe que ele era um pouco "avançado" para a época. Tinha também uma particularidade: coxeava de uma perna. Na visita pascal, quando já a meio das visitas, justificava-se irem todos "ao balão".

Quando visitou a nossa casa, a minha mãe reparou que o equilíbrio dele estava um pouco afectado, então disse-lhe: Sr. Padre tenha cuidado porque pode cair.

Respondeu o Padre Cordeiro: D. Leonor, fique descansada porque eu já sou coxo há muitos anos...


Raúl Figueiredo