BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.

segunda-feira, 4 de julho de 2011

Rio Tua - Percurso 1 (Maio-2011)

Dos Pereiros ao rio Tua há vários percursos. Com tantas serranias que separam a aldeia do rio Tua teria de haver mais do que um. Escolhi este porque, apesar de no início de Maio os dias já serem maiores, o tempo é limitado e a tarde está ameaçadora de trovoada, como em qualquer Maio trasmontano que se preze. Além disso este caminho permite ver o rio Tua desde o alto do Vale da Galga, uma paisagem única que nos mostra a verdadeira dimensão do vale. Num plano único, Codeçais e a Sobreira. Um e outro lado do rio.
Neste início de Maio a Primavera está muito adiantada, as próprias maias das giestas já estão a desaparecer. Por aqui se vê a diferença de micro clima que existe quando começamos a descer para o rio Tua. Comparar com o planalto de Carrazeda dá quase um mês de diferença na floração das plantas. Por isso é que Pereiros pertence à Região Demarcada do Douro. O Alto das Cortiçadas é outros dos pontos colocados a grande altura sobre todo o vale. Hoje passo mesmo ao lado.
Olhando para trás tem-se a noção da diferença de altitude a que fica o monte do Castelo e o Vale da Galga. O Castelo marca a zona de transição entre o vale do Tua e o planalto, a  que muitas vezes, os mais velhos de Pereiros chamavam "terra fria". Já vamos espreitar para o rio Tua!
Em frente a Serra Tinta que divide o vale da ribeira de Pereiros do Vale do Tua. A ribeira que corre desde Freixiel faz um percurso acidentado, para desaguar aqui, no Tua, no termo de Pereiros. Corre tão profunda como o próprio rio por isso é que não se avista deste alto. Vai fazer parte do percurso mais tarde.
                                                                                                                  
Hoje não é o dia apropriado para reparar em pequenos pormenores tal é a dimensão da demanda. Mesmo assim, estas formações graníticas dão sempre nas vistas, como esta, mesmo antes de chegar ao Alto do Vale da Galga.
Também esta marcação de propriedade da Casa Meneres com os tradicionais triângulos para indicar a divisória mostram como os Meneres vieram do Romeu até aqui comprar propriedades por causa dos sobreiros e da cortiça. A própria aldeia de Pereiros marca a transição entre uma maior predominância do pinheiro bravo a maior altitude e uma vegetação mais mediterrânica desde a aldeia até ao rio Tua, onde o sobreiro se impõe. Por isso, não admira que a Casa Meneres aqui tivesse comprado sobreiros. 
O Alto do Vale da Galga é assim! Parece que estamos pendurados em cima de um ninho de água real! O rio  Tua e todo o vale aparecem de repente, caiem-nos aos pés. Os horizontes alargam-se a paisagem parece não ter fim. Não será por acaso que lhe atribuíram este nome tão sugestivo, Vale da Galga! Há, ou havia, um antigo carreiro que descia pela íngreme encosta até ao Tua. Era o mais rápido de todos os caminhos!  Agora imaginem para subir como era preciso "galgar" a pique aquele caminho. Os passos têm que se transformar em galgas, em grandes passadas...
Basta rever as fotografias anteriores: desde o Alto do Castelo, passando por este Alto do Vale da Galga e daqui até ao Rio Tua! É esta a diferença entre o planalto e o rio Tua.
O objectivo de hoje está mesmo lá no fundo, a linha férrea, a ponte da Cabreira, a ribeira e o rio Tua.
Um último olhar sobre a serra Tinta permite ver o caminho de terra batida que, com comodidade suficiente, nos pode levar ao rio. Como não vou descer pelo velho carreiro do Vale da Galga só há uma alternativa, contornar todas estas serranias para evitar tal descida.
É preciso voltar para trás, descer pelas Cortiçadas e pela Boucinha. Pelo caminho apenas encontrei  este pachorrento burro branco. Parece estar farto de tanta erva verde à sua volta e indiferente à minha passagem.



Por baixo da Boucinha temos a noção de que estamos completamente escondidos e alheios do resto do mundo. Encravada nestes vales profundos, pode-se ficar a sós com a generosa mãe natureza que, apesar dos grandes incêndios, continua a acolher-nos no seu seio. Os sobreiros floridos dão-nos conta de um Inverno e de uma Primavera de chuvas abundantes.
Mais uma vez o contraponto das duas fotografias anteriores, a Boucinha a meia encosta entre Pereiros e o rio e o Alto da Pena que marca, de forma maciça, dominante, a aldeia e todo o Vale do Tua.
Eu disse meia encosta, o espaço por baixo de nós vem-nos lembrar exactamente o significado dessa expressão, ainda vamos ter de passar naquele caminho lá em baixo. É preciso dar uma grande volta pelos Alvarianos para lá chegar!
A ribeira está próxima, já se avistam os olivais e as novíssimas vinhas na Serra Tinta. Ainda gostava de saber porque chamam a  este pedaço do caminho antes de chegar à ribeira e a algumas propriedades, de "Portela do Ouro"! Portela quer dizer porta pequena, passagem entre dois montes. Faz sentido, é realmente uma passagem entre dois montes. Do ouro? Alguém fez "lavagem" das areias da ribeira para pesquisar ou extrair ouro? Esta actividade existiu em Portugal em muitos rios e ribeiras desde a época romana. A toponímia é uma verdadeira caixinha de surpresas, raramente existe por acaso e mantém-se ao longo de centenas ou mesmo de milhares de anos. Por vezes já deriva do latim. Ainda que "nem tudo o que luz é ouro"...
Daqui da beira do caminho avista-se o pilar central da velha ponte sobre a ribeira. Diziam os antigos que foi uma cheia que levou o tabuleiro, o velho caminho de bois seguia por ali. Ainda não vai ser hoje que vou passar por lá, o caminho para a ribeira segue mais para jusante, é para o rio Tua.


A construção da estrada de terra batida foi depois de 74, a do actual pontão foi ainda mais recente. Antigamente saltava-se de pedra em pedra.(estas pedras chamam-se poldras) Em anos de cheias a ribeira tornava a passagem intransitável, as grandes pedras de granito eram completamente submersas o que impedia a apanha da azeitona durante semanas. Abandono o pontão porque também me recorda um local de tragédia difícil de explicar.





A partir daqui a ribeira esconde-se por entre pedras, azinheiras, (carrascos) choupos e densos matagais, corre rápida para o Tua. Antes de chegar à ponte da Cabreira, tem um nome curioso mas muito justificado, Boca do Inferno. Abre caminho com um barulho ensurdecedor  entre gargantas profundas e aterradoras. Mais uma vez o acerto toponímico dos antigos. 


Este lado da Serra Tinta, do ponto de vista agrícola, tem um aspecto mais cuidado do que há muitos anos atrás. Os olivais estão bem tratados e, as novas vinhas, aproximam a nossa serra daquilo que é o resto do vale do Tua, a Região Demarcada do Douro. A serra é em Pereiros, talvez, o único local com qualidade suficiente para o cultivo do Vinho do Porto. Nem tudo é abandono, a serra antigamente tinha um aspecto mais rústico e selvagem do que actualmente.


Neste mês de Maio o que me chamou a atenção foram grandes quantidades de roseiras bravas floridas, encravadas no meio do mato, ao longo de todo o caminho para o Tua. Nunca tinha reparado, nem na sua quantidade nem na sua beleza. Estas flores mostram bem o carácter mediterrânico do clima e a baixa altitude em relação ao mar.
A linha do comboio aparece de repente na curva do caminho. A vegetação, em geral, é muito mais densa do que antigamente, o rio não se vê, apenas se ouve lá ao fundo.


sexta-feira, 1 de julho de 2011

RIO TUA

O VIDEO SOBRE O RIO TUA FOI  EDITADO NOVAMENTE E APRESENTADO EM ALTA DEFINIÇÃO.

terça-feira, 21 de junho de 2011

Solestício de Verão




      Pereiros de Ansiães, Alto do Termo para poente - Aero-geradores, serra do Alvão



Salve, berço do nome lusitano!
Nesta manhã solene.
Que, em volver de ano e ano,
Jamais acabará que a apague o tempo
Da saudosa memória;
Nesta manhã de glória
A ti veio, a ti venho, asilo santo
Da lusitana antiga liberdade.

Tuas lobregas cavernas
Me serão templo augusto e sacrossanto,
Aonde da Razão e da Verdade
Celebrarei a festa.

Ouça-me o vale, o outeiro,
Escute-me a floresta
Aonde do seguro azambujeiro
Seus cajados cortavam
Os pastores de Luso,
Que a defender a pátria e a liberdade
Nesses tempos bastavam
De honra e lealdade.


Almeida Garrett, Viriato 

domingo, 19 de junho de 2011

RIO TUA



Há coisas que serão sempre nossas… mesmo quando não nos pertencem. Num mundo onde tudo se mede pelo seu valor facial, ou por títulos de propriedade, nem sempre o mais importante pode ser avaliado assim. Se aquilo que nós carregamos fosse apenas o que se pode comprar ou vender seriamos uns pobres de espírito.
Por isso, uma parte do rio Tua é minha! Só minha.
Eu sei que outros poderão dizer o mesmo. Ainda bem! Todos temos os mesmos direitos. Afinal o rio é de todos os que sentem o mesmo que eu, uma espécie de sociedade anónima onde todos investimos uma parte das memórias das nossas vidas. Poderia dizer que tenho este gosto pelo rio Tua, de Mirandela até à foz, é verdade… mas, aquele troço que fica no termo de Pereiros, entre as estações de Codeçais e Abreiro, na ponte da Cabreira, esse é mesmo, mesmo meu! Antes que o rio seja afogado prometi a mim mesmo que tenho que cá vir mais vezes. Neste início de Maio, o efeito que tudo isto tem sobre mim é tão forte que é apenas comparável à promessa de tempestade que se aproxima, a  única interrogação é porque não vim mais cedo.
Antigamente, o percurso para cá chegar não era fácil, por isso, ir ao rio não era um hábito frequente, era um desafio enorme, imponente como toda a paisagem que o rodeia. Descia-se todas aquelas serranias por íngremes caminhos de pedras, por veredas e carreiros de cabras. A ribeira não tinha uma ponte, saltava-se de pedra em pedra. Era outro mundo, outra dimensão, por isso tão marcante. Uma boa hora e meia de caminho. Passava-se lá o dia ou a noite. Hoje parece mais perto, quando não se vai a pé!
O rio Tua faz parte da nossa vida, habituei-me a ouvir as histórias e aventuras do meu avô, uma parte da sua vida de trabalho quando tinha por lá as azenhas e se dedicava ao negócio da farinha.
Ninguém contava histórias como ele!
Quando desci ao Tua pela primeira vez era muito pequeno. Fomos todos! Os mais pequenos a cavalo, a promessa de ir à pesca, a merenda, o medo de ficar a noite… ver passar o comboio a vapor, os banhos intermináveis nas águas mornas de Verão!
Uma grande aventura.
Era também chegada a hora de confrontar o lado tenebroso do rio, de imaginar nas pedras, nas árvores a dimensão assustadora das cheias, das noites de invernia, quando submergia a Pedra Seixa e em remoinhos enormes quase chegava à linha. As pedras que restavam da velha azenha onde o meu tio adolescente e o Jaime Borges ficaram isolados, pendurados aos gritos no telhado, numa das maiores cheias de que havia memória. O meu avô, rodeado dos netos, contava tudo isto com grande subtileza nos detalhes, com emoção no brilho dos olhos, mas não como uma tragédia, como alguém que se agarrou ao rio, que lhe sobreviveu e que tinha por ele um respeito e uma paixão desmedidas. Estas foram das maiores expedições da minha infância, todo o meu mundo cabia ali naquelas escarpas gigantescas, rudes e nas águas calmas do Tua.
Aos dez anos meteram-me finalmente no comboio, juntamente com uma mala muito maior do que eu, na estação de Codeçais e entregaram-me ao revisor (o revisor era o senhor Luciano de Codeçais e o filho dele, o Daniel, era o meu companheiro nesta nova grande aventura, por isso, estávamos bem entregues) e fui estudar para Vinhais. Naqueles dois anos só vinha a casa nas férias, quando passava a estação de Abreiro já vinha pendurado na janela para ver passar a ponte da Cabreira e a Pedra Seixa, já estava em casa!
Quando vim para Mirandela tudo parecia mais perto. Ir a pé da estação de Codeçais para os Pereiros era uma dura rotina. Como a subida era para casa, até parecia mais perto! Foi por esta altura que a linha do Tua começou a entrar em decadência, os horários dos comboios foram reduzidos e não paravam em todas as estações. Foi aqui que as minhas expedições ao rio se mostraram muito úteis quando, no Inverno de 1973, saí de Mirandela, no último comboio da tarde e tive de sair na estação de Abreiro. Estupefacto por ninguém me ter avisado de que o comboio não parava na estação de Codeçais, fiz-me ao caminho, linha abaixo. Quando cheguei à Pedra Seixa e à ponte da Cabreira já era de noite… nunca o caminho do rio me tinha parecido tão longe, as montanhas tão altas e ameaçadoras, os sons da noite tão estridentes e confusos e, ainda faltava muito caminho para casa!
Durante toda a minha adolescência a rapaziada de Pereiros, no Verão, ia ao rio passar o dia, tomar banho, à pesca… era um ritual de grupo, quase de iniciação à vida adulta. Mais tarde ainda lá voltei, várias vezes, com o meu tio à caça dos javalis, das perdizes e dos patos. Estes estavam novamente a repovoar o rio e a ribeira e nós queríamos experimentar um pato no formo como a minha avó fazia no tempo da azenha!...
Talvez um dia conte todas estas histórias.

segunda-feira, 25 de abril de 2011

Páscoa 2011


 PÁSCOA 2011



A Páscoa deste ano foi muito alta, no dia 24 de Abril. A Páscoa é sempre comemorada no primeiro domingo após a primeira lua cheia do início de Primavera, ou seja, pode ocorrer entre 22 de Março e 25 de Abril. Por isso é um dia santo móvel. O outro dia santo móvel que depende da Páscoa é o Corpo de Deus, este ano será em 23 de Junho.
Um dia quente e agradável mas marcado por aguaceiros rápidos e intensos. Nada que não nos faça recordar que, apesar dos dias mais longos, ainda estamos na Primavera.


Na aldeia o compasso marca a grande tradição da Páscoa. Muita gente nas ruas, visitas... faça sol ou chuva, ela chega a todos, mesmo àqueles que, devido ao seu estado de saúde, não podem receber a tradição na entrada de sua casa.


Atendendo às circunstâncias, gostaria de deixar aqui uma fotografia do dia de Páscoa de 2010, quando o sr. Francisco recebei a visita da sra. Helena e do seu filho António.

sexta-feira, 15 de abril de 2011

domingo, 6 de março de 2011

terça-feira, 8 de fevereiro de 2011

O MOINHO DOS ALVARIANOS


O moinho faz parte de um percurso de final de Dezembro, daqueles dias de invernada em que choveu muito durante a noite mas o dia, apesar das ameaças, vai dando alguma trégua. Enquanto na aldeia toda a gente pensa na campanha da azeitona, depois de quase um mês a chover, fui ver as oliveiras. Apenas ver.  Está um dia macio, quase temperado para a época do ano. Há água por todo o lado. É uma boa ocasião para tomar o caminho da Regadia e ver o Ribeiro.


Este ribeiro recolhe a água de vários outros que descem dos Grichos, dos Carvalhais e dos Termos. Passa por baixo da ponte das Olgas, descansa até aos Moinhos e, depois, precipita-se numa correria desenfreada pela Regadia abaixo até aos Alvarianos. Vai mudando de nome conforme as propriedades que o rodeiam ou dos antigos moinhos que dele dependiam.
Não dá como não o encontrar! Faz-se anunciar bem cedo quando nos aproximamos deste vale profundo e quase incessível. Ouve-se ao longe! Numa trovoada de água e espuma, atira-se ao granito, salta de fraga em fraga, desaparece no meio de grandes penedos para reaparecer depois, escorregando ao longo de  lages maciças e quedas de água. 


Não admira que tenham construído moinhos ao longo do seu curso. Um cheiro intenso a terra molhada mostra que, tudo aquilo que a natureza dá, também acaba por levar.

Correndo por entre escarpas de um
Olha em frente na direcção da serra, ainda há muito para correr, mais selvagem, mais granito, mais vinhas em socalcos e olivais que lhe apertam a margem, ainda faltam os Alvarianos, o moinho, a ribeira e o rio Tua e o Douro, o mar.

Sentado aqui na beira do caminho faz-me lembrar Miguel Torga e o Seu Reino Maravilhoso, vou apenas citar um bocadinho, quando descer ao rio vou ilustrar o seu texto.
"Léguas e léguas de chão raivoso, contorcido, queimado por um sol de fogo ou por um frio de neve. Serras sobrepostas a serras. Montanhas paralelas a montanhas. Nos intervalos, apertados entre os rios de água cristalina, cantantes, a matar a sede de tanta angústia. E de quando em quando, oásis da inquietação que fez tais rugas geológicas, um vale imenso, dum húmus puro, onde a vista descansa da agressão das penedias. Mas novamente o granito protesta. Norda para a força medular de tudo. E são outra vez serras, até perder de vista." 
As serras a perder de vista são as Cortiçadas, a Serra Tinta, o Zambulhal de Abreiro ou a Serra dos Passos. Então... e o nosso moinho? Está lá baixo, escondido entre sobreiros e carvalhos, encostado em cima dos fragoredos do ribeiro. Entretanto o ribeiro calou-se neste espaço
aberto, corre rápido pelos lameiros mas ... silencioso, integrou-se com respeito na paisagem.


Ele aí está! Mais granito, mais fragas, mais cascatas, outra corrida, outra viagem! fizeram-no aqui, à espera do ribeiro, não o invadiu, encostou-se apenas a uma distância segura no seu leito. Atrás dele um maciço imponente, a Pena.


Simples, rústico, telúrico, granito como tudo o resto, nem uma única abertura para entrar a luz, apenas uma porta e aquela boca escancarada para descarregar a água.                                       
 







A mó está lá, intacta, escorada em cima de grandes pedras de cantaria. No chão os restos da antiga roda de madeira que fazia girar a mó. 
Para compreender o engenho e a argúcia de quem construiu este moinho é preciso subir até ao telhado, visto de cima parece que se agiganta, já não se encostou à margem, pendurou-se em cima do ribeiro, dominou-o. 



Na ombreira da porta está gravada na pedra uma inscrição, se as donas não souberam dizer-me o seu significado eu também não vou arriscar!
  
Ainda há um ditado popular que diz que não se deve começar uma casa pelo telhado! O moinho dos Alvarianos ou do Ribeiro das Lajes começou a ser "construído" pelo telhado na cabeça de quem o imaginou. O seu segredo está no canal da água, na forma como foi aproveitada a gravidade. A água do ribeiro foi desviada a montante e, usando um declive acentuado, canalizada a alta velocidade para dentro do moinho. Pelo telhado até ao chão!


Por fora o canal transforma-se num tubo redondo, finamente esculpido em grandes lages de granito e desaparece no interior do moinho. No interior o canal de pedra desce pela parede atravessa o moinho e leva a água directamente para a roda. Um trabalho de mestre. o moinho tem algum feno e pedaços de madeira, o telhado mantém-se num equilíbrio difícil. merecia ser completamente limpo e a água a circular. Quem, há tantos anos, o imaginou, construiu e nele trabalhou, mereciam essa consideração. Se for necessário eu dou uma ajuda.

Um último
olhar para o ribeiro, os Alvarianos, as oliveiras e o moinho ficaram para trás. Este ano, da maneira que está o tempo, muita azeitona vai ficar na terra. Apesar de "depois do Natal o salto de um pardal" os dias ainda são curtos.