BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.

domingo, 1 de julho de 2012

VISTAS LARGAS



Passei a tarde do último dia de Junho a ver sobreiros! Encravados nas pedras são os sobreviventes de grandes incêndios, o último foi em 2003. O mato cresceu de forma assustadora, tomou conta de tudo tornando quase impossível a circulação. Ver os sobreiros foi uma boa razão para tirar fotografias. O dia estava excelente, fresco, muito bom para romper pelo meio do mato mas, estava uma luz péssima para as fotografias. Contudo, juntar as duas coisas acaba por dar resultados surpreendentes e vistas largas!


Duas fotos das enconstas do Castelo e dos Vale dos Olmos com Codeçais ao fundo.



Três foto do lado oposto de Pereiros, o vale da ribeira de Freixiel, o Muro e o Pereiro.










A última sequência é Pereiros visto do alto do Carvalhal e do Gricho. Algumas formações rochosas são no mínimo surpreendentes!

quarta-feira, 13 de junho de 2012

RIO TUA - Horizonte longínquo



Sentei-me aqui, nesta tarde tempestuosa de Maio. Sozinho, pensativo, pendurado na beira do paredão da centenária via-férrea, a olhar o rio Tua.

O silêncio é do tamanho das serranias e dos gigantescos maciços de granito, cortado, aqui e ali, pelo chilrear de pássaros nos sobreiros suspensos sobre o abismo à minha frente. 

As memórias assaltam-me o pensamento mas, fico quieto, parado. Ao longe, para lá da Pedra Seixa, oiço o ranger das ferragens do velho comboio a vapor, misturadas com o ritmo compassado das rodas sobre os carris e o ofegar da fumaça que sai em cachos pela chaminé.

Uma vibração súbita, um arrepio, a ribeira lá ao fundo, passou a ponte da Cabreira...
Qualquer coisa me transporta para longe, me aconchega, se sobrepõe a tudo. Fica um nó na garganta, uma estranha angústia que acalma e me conforta; a sensação de que é preciso ficar mais tempo, apurar os sentidos.  
O silêncio é apenas aparente.

Vou despertando aos poucos, o rio corre rápido com um ruído rouco e surdo, o cheiro das ervas e do mato cruzam-se em aromas doces e suaves que sempre conheci; o perfume singelo das maias contrasta com o cheiro cortante e persistente da resina das estevas; os tons verdes intensos, misturados com outras manchas coloridas, algum grande pintor deixou na minha memória; a brisa forte, amena, trazida por uma trovoada distante, acaricia-me a face, reprime uma lágrima rebelde, desperta-me o espírito.

Tudo isto se vai misturando aos poucos, tomando forma, ocupando o espaço. 
O comboio a vapor passou por mim ou viajava nele?
O tempo também foi ficando, trazido pela suave e murmurante corrente do rio ou, levado para longe, em estrondo, por entre as pedras, pelos rápidos de espuma.


– Afinal, eu sempre aqui estive.
A vida é apenas um percurso, um horizonte longínquo!...

quarta-feira, 2 de maio de 2012



PINTASSILGO DOURADO - (Carduelis carduelis)

Os pintassilgos dourados eram o objectivo de qualquer miúdo da aldeia. Relativamente raros, rápidos e esquivos não eram fáceis de ver e muito menos de criar. Pela sua beleza eram chamados de dourados para os distinguir dos outros castanhos comuns de peito amarelo. Têm um canto muito variado e melódico. Nunca tinha tido a curiosidade de ver o seu nome científico nem perceber porquê. Carduelis porque se alimentam das sementes da flor do cardo. Por isso, no fim do Verão, se juntam em bandos para comer sementes. Por serem tão cobiçados a sua apanha e venda foi penalizada. Estes vão apenas satisfazer a minha curiosidade e testar a máquina fotográfica. Uma cerejeira no jardim foi o suficiente para eles nidificarem. Bastou apenas segurá-la para que o ninho não abanasse, como um navio no alto mar agitado pelo vento.











Atentos, vigilantes, rápidos, esquivos e, até, inquisidores tornaram-se nos donos do jardim. O macho escolheu o alecrim como vigia de onde, em dia de sol ou de tempestade, vai cantado sem nunca tirar os olhos dos estranhos.



CONTINUA...






  



Esperava uma azáfama enorme dos pintassilgos para alimentar as crias... um corre corre para o ninho, como se vê fazer com os outros pássaros! Puro engano, um dos adultos permanece no ninho durante horas seguidas como se estivessem a chocar o ovos. Pode-se chegar perto, fazer barulho, nada disso assusta o pintassilgo, mesmo nos dias quentes. Ainda não percebi como os alimentam! No pouco tempo que estão sozinhos parecem estar sempre sem fome, não abrem o bico! Dos cinco ovos nasceram quatro juvenis.




Numa semana cresceram muito rápido. Ao contrário do que acontecia antes, os progenitores desapareceram, os juvenis ficavam sozinhos no ninho. Era possível tocar-lhe, não abriam o bico, pareciam estar sempre saciados. No dia 20 de Maio, os dois adultos estavam, logo de manhã, pendurados na magnólia. Depois de uma semana desaparecidos, fui espreitar ao ninho para ver o que se passava. Estava um juvenil de pé em cima do ninho, deixou-me aproximar muito e, de repente, voou muito rápido para junto dos pais. Era o último, tinha ficado para a despedida! 

 

Praticamente sem rabo, com os pelos ainda pendurados na cabeça, estavam preparados para a liberdade.

  Fim