BEM – VINDO
O objectivo deste blog é duplo, dar a conhecer Pereiros de Ansiães, a sua história, a sua paisagem, o seu património e as suas tradições; é também uma forma de fazer aquilo que eu gosto, de partilhar emoções e memórias.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

NEVE 2010

BOAS FESTAS


Para todos um feliz Natal e um próspero Ano Novo






Há um ditado popular que diz: "Dos Santos ao Natal, Inverno natural." A neve na aldeia encheria sempre a nossa imaginação nesta quadra. Neste ano de 2010 já nevou em Pereiros, em Dezembro mas, este conjunto de fotografias são, ainda, deste ano! Dia 10 de Janeiro. Com as previsões meteorológicas como estão... quem sabe! Nevar três vezes no mesmo ano seria quase um achado mas, nos últimos tempos, parece que tudo voltou a ser como era.

Estas fotografias foram tiradas no início do ano por Adelaide e Elisa Moreira. Como colaboradoras activas do blog hoje a página é delas. Nas primeira foto, uma perspectiva retirada do fundo da aldeia para o Cabeço com o Castelo ao fundo. Na segunda foto, outra perspectiva da Serra Tinta coberta de branco. A neve quase desce até à ribeira e ao rio Tua em altitudes muito baixas.

Duas formas de ver a rua principal - Para a capela de Stº André e para a fonte.

Alinhar ao centroOs grandes sobreiros da Quintã e do Barreiro carregados de neve ficam com um aspecto ainda mais maciço.

Os fortes "farrapos" de neve diluíram a casa com a sua cobertura de xisto, um exemplar único e raro em montanhas de granito. Vida difícil para as laranjeiras, apenas sobrevivem abrigadas.




É por causa disto que as pessoas gostam tanto de neve! Uma paisagem única, rara e fugaz.

Os contrastes entre o branco da neve e o granito, tão tradicional de Pereiros, dão à aldeia um aspecto rústico e antigo como se fosse um presépio.


Dois enquadramentos fantásticos da ponte das Olgas. Primeiro, a ponte e o caminho íngreme que desce de Pereiros para o ribeiro e, quase, desaparece no manto branco.

O segundo, uma vista geral da ponte no sentido Pereiros - Freixiel. Toda uma paisagem a fazer lembrar o Natal - BOAS FESTAS.




segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Cores de Outono

O Outono é a estação do ano mais ignorada, quase não damos por ela. Por vezes, é metida no mesmo saco do Inverno, o tempo vai arrefecendo, as chuvas e as primeiras geadas fazem-se anunciar. Vamos então olhar melhor para ele. Alguns frutos ainda estão nas árvores, as cores transformam-se, vários matizes de amarelo e vermelho pintam a floresta. As folhas começam a cair. É todo um processo gradual que muda de cor e forma todos os dias. Os verdes, depois dos dias secos de Verão, tornam-se mais intensos. O cheiro da terra molhada espalha-se pelo ar.

Nesta tarde de fim de Outubro o objectivo é os Vale dos Olmos, um percurso relativamente longo que nos pode levar praticamente à Felgueira, com certeza que não vou ter tempo de o percorrer de uma única vez! Depois de dois dias de chuva intensa o sol tenta romper no intervalo da tempestade. Está uma óptima luz para tirar fotografias, se recomeçar a chover logo se vê... ficamos então pelos Vale dos Olmos.





















No Santo, o arco - íris continua a espreitar entre os sobreiros, ainda está a chover além do rio, deste lado faz sol, o que mais se pode pedir? Os marmelos dão um colorido intenso ao olival, será que ninguém precisa de fazer marmelada?






















A azeitona começa a mostrar-se, depende das oliveiras e dos locais. Na Galé de Rui Borges as videiras mantêm a folha e mostram uma variedade de cores que vão do verde ao vermelho vivo, do roxo quase negro tudo misturado com matizes de amarelo.





Estas grandes formações rochosas do alto do Vale marcam o início da encosta que nos leva aos Vale dos Olmos. É um percurso relativamente suave, contorna toda a serra do Castelo pelo meio.




















Os Pereiros ficaram para trás a espreitar através das fragas e do monte. No meio de tanto granito e de grandes declives ainda existe, aqui e ali, alguma agricultura. Esta figueira perderá as suas folhas quando cair a primeira geada a sério. Mais um cenário de mudança que se apagará brevemente.









Um caminho quase plano para podermos apreciar grandes espaços e passear entre grandes declives, isto mostra a sagacidade dos antigos quando abriram estes caminhos para as suas propriedades agrícolas. Nesta fotografia panorâmica o espaço é imenso, tudo entre Pereiros e Codeçais. Ao fundo quase não há limite, todo o vale do Tua.
























A meio, vales profundos e apertados descem do Castelo de forma vertiginosa. A estrada municipal que liga Pereiros a Codeçais serpenteia, lá ao fundo, a grande distância. Os pinheiros misturam-se com os castanheiros bravos, as cartinceiras como lhe chamam por aqui. Estes pinheiros que agora já não produzem resina, resistiram ao fogo por causa da sua altura descomunal, num vale tão apertado como este, têm de procurar a luz. Apesar do mato, nem parece que todo este vale ardeu em 2003! Para quem se recorda, há 30 anos atrás, podia-se circular por aqui, entre pinheiros centenários e moitas de cartinceiras que praticamente não deixavam entrar a luz.























De repente outro vale, o Castelo imponente, lá em cima, olha-nos de forma sobranceira, quase nos desafia a subir. São os Vale dos Olmos. Naquele curioso casarão, onde se aproveitaram tão bem as fragas para o construir, cresce agora um pinheiro. Foi necessário um trabalho hercúleo, uma vontade férrea e uma necessidade extrema para construir estas paredes que suportam todas estas calçadas. Há trinta e poucos anos podia-se começar aqui pelo casarão, seguir em frente e ir, sem grandes problemas, até à Fraga do Grilo onde, em grandes pinheiros, nidificava a águia real também chamada de mocho real por estas paragens. Quando eu era rapaz dizia-se que os seus ninhos eram do tamanho de um cesto grande. Eram os resineiros que, ao calcorrear estas fragas, sabiam os locais isolados onde se encontravam estes ninhos. Agora, a águia real está em vias de extinção a nível nacional, não sei se ainda haverá algum casal no vale do Tua.





















Nos Vale dos Olmos a paisagem sobre Codeçais e o vale do Tua é surpreendente, a diferença de altitude quase provoca vertigens. A distância, ainda que pareça pequena, é enganadora.












Passando mais estas fragas, mais uma curva apertada no caminho... outro vale profundo, novos horizontes. Alguns castanheiros centenários por baixo do caminho são autênticos sobreviventes do tempo. Antigamente eram abundantes. Não sei de quem são estes castanheiros, as castanhas são saborosas...











A economia da castanha era muito importante em Trás-os-Montes. Base da alimentação nas aldeias, tinha um papel relevante ao longo do ano, não era apenas uma tradição de S. Martinho. Cozidas, assadas ou picadas faziam parte dos hábitos alimentares dos transmontanos. As castanhas dos castanheiros são diferentes das bravas, das cartinceiras, são mais pequenas e mais doces.



















Nos Vale dos Olmos de Manuel Oliveira ficaram estas uvas tão bem conservadas nestes últimos dias de Outubro.


















Está na hora de regressar, afinal estamos no Outono, o sol desaparece mais cedo. O caminho é ladeado por castanheiros e castanhas, aqui e ali alguns sinais de javalis mostram como são abundantes nesta área. Pelo menos não lhes falta comida...




























Uma última panorâmica de todo o vale e do caminho para a Felgueira. Na caça cheguei a fazer este caminho ao contrário, começar no alto do Termo, Felgueira e depois Pereiros.






Entre os Vale dos Olmos do meu pai, Augusto Fidalgo e de António Cabral, mesmo na beira do caminho, esta pedra furada, tão característica dos maciços graníticos de Pereiros.





Ainda chove para além do rio. As fragas do alto do Vale adquirem uma tonalidade escura e ameaçadora o que lhes dá uma beleza ainda mais selvagem. Assim, penduradas sobre todo o vale do Tua, transformam-se em sentinelas atentas e silenciosas de toda a paisagem. O grande monólito no canto superior direito da fotografia inferior parece um capacete de armadura de um cavaleiro medieval ou o torreão de um castelo.


Quase no dia das bruxas, estas fragas bravias e imponentes, trazem-me à memória as histórias que o meu avô Adelino nos contava à lareira, nas longas noites de inverno, sobre caminhos e encruzilhadas ao cair da noite ou à meia - noite. Estas histórias envolviam sempre lobisomens, bruxas, grandes cavalgadas nocturnas por caminhos estreitos e encruzilhadas a horas marcadas. Se alguém interrompesse a cavalgada e ferisse o lobisomem este transformar-se-ia na pessoa amaldiçoada. Mesmo que nada disso passe por aqui a esta hora, não deixa de ser uma paisagem assombrosa e não assombrada, onde ainda cabe o nosso imaginário de infância.




















De regresso, o pormenor da rua florida mesmo na entrada da aldeia, que belo cartão de visita. Ainda há pessoas com gosto que cuidam destas coisas.













No quintal do meu tio as abóboras compõem este final de Outubro. Quase sinto ele perguntar-me com o seu jeito: "_ Então como é? ainda não decidimos onde vamos às perdizes no dia santo!"

quarta-feira, 20 de outubro de 2010

Pereiros, vista parcial - 40 anos depois

O Raul Figueiredo enviou-me estas duas fotografias. São uma vista parcial de Pereiros tiradas, aproximadamente, do mesmo enquadramento. Deve haver, mais ou menos, 40 anos de diferença entre as duas fotografias. É interessante ver como houve algumas transformações. Compare.







sábado, 2 de outubro de 2010

Passeio ao Castelo - 1941-42

Enquanto em 1941-42 a Europa estava mergulhada no maior drama do século XX, a Segunda Guerra Mundial, no Portugal de Salazar respirava-se paz e tranquilidade. Algumas das nossas tropas eram mobilizadas à pressa para os Açores, alvo da cobiça de nazis e aliados, na província a vida corria devagar, vivia-se ao ritmo dos trabalhos do campo. O que haveria de melhor do que um passeio ao Castelo com os amigos?

Este grupo era composto por duas famílias que vinham do Porto:os Aguiar e os Ferreira que convidavam os amigos da aldeia para uma passeio de convívio.O local escolhido foi o Castelo, o ponto mais alto do termo de Pereiros, de onde se pode ter uma vista deslumbrante sobre o vale do Tua.Os Aguiar eram irmãos da D.Zaida. Os pais que tinham sido professores em Pereiros, foram para o Porto onde formaram os filhos, por isso, regressavam sempre nas férias.Em Pereiros tinham a sua casa (ainda pertence à família)e propriedades tanto em Pereiros como em Codeçais.O Sr. Ferreira era do Porto e casou com Ermelinda Ramos de Pereiros onde também tinham casa que pertenceu, mais tarde, a Balbina Ramos. As duas famílias eram amigas e habituais destas férias na aldeia. É interessante alguns homens transportarem armas de caça. Naquela época podia-se caçar todos os dias, por isso, não admira que o passeio também incluísse uma caçada.

O grupo era formado por: primeiro plano, da esquerda para a direita -(Foto 1) Zeca Ferreira, António Aguiar e Francisco (Chico) Ramos.
Segundo plano, da esquerda para a direita: Rosália Borges, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Helena dos Anjos Borges, Olinda Moreira, Irene Aguiar, Cármen Aguiar, Maria da Silva Aguiar, Adelaide Lopes, Ana Aguiar, Aurora Ramos, Fernanda Aguiar, Ermelinda Ramos, Sr. Ferreira, Alberto Moreira e Américo Aguiar.

Da esquerda para a direita:(Foto 2) Aurora Ramos, Rosália Borges, Helena Borges, Irene Aguiar, Cármen Aguiar, Adelaide Lopes, Fernanda Aguiar Ana Aguiar, Ermelinda Ramos, Olinda Moreira, Isabel Morais, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Maria da Silva Aguiar, sr. Ferreira, Alberto Moreira, Alberto Calixto e Francisco (Chico) Ferreira.

Primeiro plano, da esquerda para direita:(Foto 3) Aurora Ramos, Adelaide Lopes, Cármen Aguiar, Olinda Moreira, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), sr. Ferreira, Ana Aguiar, Zeca Ferreira, Ermelinda Ferreira, Fernanda Aguiar, Isabel Morais, Ermelinda Ramos, Maria da Silva Aguiar.
Segundo plano, em cima: Helena Borges, Rosália Borges, Américo Aguiar, António Aguiar, Alberto Calixto, Alberto Moreira.

Da direita para a esquerda: (Foto 4) Maria da Silva Aguiar, Olinda Moreira, Maria da Luz Gomes (Mariazinha), Fernanda Aguiar, Ana Aguiar, Zeca Ferreira, Aurora Ramos, Adelaide Lopes, Cármen Aguiar, Ermelinda Ramos, Isabel Morais, António Aguiar, Irene Aguiar, Helena Borges, Rosália Borges e o sr. Ferreira. (atrás)

Estas fotografias de pequenas dimensões (podem ser ampliadas no próprio blog) foram cedidas por Helena Borges, uma das participantes do grupo do passeio. Apesar da sua idade avançada identificou todas as pessoas. Estas fotos marcam um dia feliz na juventude destas raparigas e rapazes de Pereiros nos anos 40. Para mim foi surpreendente reconhecer imediatamente a minha tia, Maria da Luz Gomes (Mariazinha). Será que ela ainda consegue reconhecer as fotografias?
A recolha e levantamento foram feitos por Adelaide Moreira.